O “Ludi” é um cão de 8 anos que veio à consulta de urgência com paralisia dos membros posteriores, depois de andar a correr atrás de umas ovelhas e, provavelmente, ter sido agredido pelo pastor.
No exame neurológico não apresentava sensibilidade à dor nos membros posteriores, vindo-se a confirmar lesão medular através da mielografia. Foi realizada a cirurgia de descompressão do canal medular e, após 4 dias de tratamentos e repouso, o Ludi teve alta do Hospital, a caminhar normalmente.
Os problemas na coluna dos animais são tão comuns como nas pessoas e acontecem,principalmente, nos cães de raça pequena.
A espinal-medula é um dos órgãos mais importantes e mais sensíveis do corpo. Se for danificada, as suas células não se regeneram e, normalmente, o trauma leva a danos permanentes.
Por isso, a medula está especialmente protegida, atravessando um canal ósseo dentro da coluna, estando envolvida por osso, excepto quando passa sobre os discos intervertebrais. Os discos intervertebrais são ‘almofadas’ situadas entre as vértebras e imediatamente abaixo da medula espinal. Eles absorvem o impacto exercido na coluna durante o movimento.
A actividade normal ou traumas pequenos, como saltar, cair ou correr, podem causar a extrusão do disco.
O ponto de maior fragilidade faz com que, maioritariamente, o material do núcleo se mova dorsalmente indo comprimir a medula. Como a medula espinal está encarcerada na estrutura óssea, não se pode afastar da pressão exercida sobre ela.
Algumas raças, denominadas condrodistróficas — caso das raças Teckel, Beagle, Pequinois, Basset Hound, Spaniels e Caniche — sofrem um processo degenerativo do disco, quando ainda jovens. A idade de maior incidência do aparecimento da hérnia discal nestas raças é entre os três e os sete anos. Nas outras raças é mais comum a partir dos oito anos.
Normalmente, os sinais clínicos são coincidentes com algum evento traumático (queda ou salto) mas o disco só ruptura se já estiver em degenerescência. Caso contrário, a ruptura discal não ocorre. A degeneração discal ocorre lentamente, isto é, durante vários dias ou semanas.
Quando a degenerescência é muito lenta, a sintomatologia pode manifestar-se de forma mais moderada, revelando-se por alguma prostração do animal. No entanto, o disco pode rupturar de forma aguda, podendo um animal passar de um estado normal para completa paralisia.
A compressão terá como resultado a inibição da transmissão nervosa ao longo da espinal medula, desde o local da compressão.
Os locais com lesão podem ocorrer desde a região cervical até à região lombar, sendo mais frequentemente localizada na transição toraco-lombar.
Através do exame neurológico é determinada a localização e gravidade da situação, se bem que, dada a necessidade de uma intervenção imediata e precisa, os exames complementares são necessários. O mais rápido, mais económico e eficaz é a mielografia, que consiste na injecção de um meio de contraste dentro do canal medular, indo este envolver a espinal medula. Se o percurso do contraste for detido em algum ponto, significa que existe algo a impedir a sua passagem, ou seja, existe material dentro do canal vertebral a pressionar a espinal medula. Combinando o exame neurológico, o resultado da mielografia e o tempo da lesão, é determinado o tipo de tratamento a realizar. Este pode passar pela resolução cirúrgica. Em qualquer opção, o objectivo é remover a pressão exercida na espinal medula e promover a estabilidade vertebral.
O sucesso da cirurgia não pode ser determinado logo após a sua realização. Um animal pode levar dias ou semanas a voltar a andar.
O período de hospitalização é de 3 a 7 dias. O controle da micção e defecação é muitas vezes perdido quando o animal se encontra paralisado e, portanto, é necessário que estas funções se restabeleçam antes que o animal receba alta.
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Cartaz da 1ª Prova do Campeonato Nacional de Agility 2009/2010