Foi apresentado à consulta um cachorro de raça indeterminada, “Tequilla”, com 4 meses de idade, com história de sopro cardíaco e desmaios. Foram feitos vários exames, entre os quais radiografias torácicas, electrocardiograma e ecografias cardíacas. Foi-lhe diagnosticado um Ducto Arterioso Persistente, que é uma anomalia congénita no coração. Estas patologias congénitas são bastante raras, estimando-se uma prevalência de 0,47%.
Quando os cachorros estão no útero materno, não existe circulação a nível pulmonar, uma vez que os fetos não respiram. O Ducto Arterioso é um pequeno vaso que faz a ligação da artéria pulmonar e da aorta, fazendo com que o sangue não passe pelos pulmões e vá directamente para a circulação sistémica. Quando o animal nasce, este ducto atrofia e fecha, e inicia-se a circulação normal, com o sangue a ser oxigenado pelos pulmões. Em certos casos, este Ducto não fecha, e então há uma comunicação anormal entre a artéria pulmonar e a aorta, o que faz com que à auscultação se ouça um sopro cardíaco. Esta anomalia leva ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, com desmaios, cansaço e acumulação de líquido nos pulmões.
Este foi o caso do “Tequilla”. O único tratamento para esta situação é a correcção cirúrgica do defeito, e depois de estabilizado o animal, partimos para a cirurgia cardíaca. Este tipo de cirurgia é bastante complicada, primeiro porque envolve órgãos delicados, como o coração e os pulmões, e também devido ao pequeno tamanho do animal (peso 1.3kg). É necessário ter muita atenção ao pormenor e o mais pequeno erro pode ser fatal. É imprescindível que o cirurgião seja experiente e tenha bom conhecimento anatómico da região. Neste tipo de procedimentos, é necessário recorrer à ventilação assistida do animal, uma vez que em cirurgias de tórax aberto, as pressões externas colapsam os pulmões e o animal não consegue respirar sozinho. Para isso faz-se o relaxamento dos músculos intercostais, que auxiliam a respiração, e faz-se a respiração assistida com o auxilio de um ventilador.
O procedimento cirúrgico decorreu sem problemas, e após 2 horas de cirurgia, o cachorro recuperou rapidamente. Ficou anda internado em observação e tratamentos pós-cirúrgicos, e teve alta ao fim de 3 dias.
Gotariamos de agradecer aos proprietários que permitiram que o Hospital Veterinário Tutti Natura realizasse esta cirurgia, e o “Tequilla” terá uma vida bastante mais longa do que seria de esperar caso não fizesse a cirurgia.
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Cartaz da 1ª Prova do Campeonato Nacional de Agility 2009/2010